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Tampa de rolha ou de rosca?, 10/06/19

Os saudosistas relutam em aceitar a tampa de rosca de alumínio para substituir as históricas tampas de rolha de cortiça ou material sintético. Essa questão também pode considerada pelo consumidor ao selecionar vinhos para compra e pelos gestores de lojas, bares e restaurantes, para a venda ao consumidor. Então, uma discussão básica do tema é oportuna.

A tampa de rolha não veda completamente a garrafa pois a porosidade da cortiça ou material sintético permite o fluxo de oxigênio, do ambiente para o vinho a uma velocidade bastante baixa, num processo que se chama de micro-oxigenação, que resulta na lenta oxidação do vinho, tanto para o bem quanto para o mal. Além disso, a rolha é sensível a contaminações

Como a oxidação do vinho é um maleficio que deve ser evitado a todo custo, pois altera negativa e bem perceptivelmente os aromas e sabores, uma das recomendações para a guarda de vinhos em longo prazo (anos) é a de armazenar as garrafas na horizontal, pois o vinho que molha a rolha aumenta a vedação e reduz a velocidade da oxidação.

A tampa de rosca, fabricada em alumínio, praticamente sem porosidade, pouco sensível a contaminações e bem mais práticas ao abrir a garrafa (dá adeus ao saca rolhas!), veda muito melhor a garrafa e reduz dramaticamente os efeitos da micro-oxigenação, tanto para o bem quanto para o mal.

Assim, se pensarmos só nos benefícios da micro-oxigenação, como a liberação de aromas e sabores, a tampa de rolha é melhor do que a de rosca. Se consideramos os malefícios, como a oxidação, a tampa de rosca é melhor.

Contudo, esses dois fatores devem ser considerados levando-se em conta o tempo que passará entre a aquisição e o consumo do vinho, tendo em vista a lentidão do processo. Se adquirirmos um vinho para consumo em curto prazo (meses) a micro-oxigenação terá efeitos pouco perceptíveis pelo consumidor; nesse caso, é melhor pagar menos pela garrafa com tampa de rosca, cujo custo de fabricação é bem menor e cujo processo de aplicação é bem mais eficiente que os da tampa de rolha.

A redução de custos e a eficiência da produção são uma preocupações constantes dos produtores pois impactam na sua competitividade no mercado. Essas preocupações é menores, eventualmente até supérflua sface à relação custo/preço, na produção de vinhos de alta qualidade, dirigido aos mercados mais exigentes, nos quais a compra para guarda é mais frequente. Então, é provável que nesses mercados, a substituição da tampa de rolha pela de rosca de alumínio seja muito mais lenta ou nem ocorra.

Nos outros mercados, a substituição vem ocorrendo rapidamente. Tanto que já há produtores que não usam mais tampa de rolha e países, como a Austrália e a Nova Zelândia, onde a tampa de rosca já é dominante e a substituição é bem rápida. Ha´que diga que as tampas de rosca já respondem por 25% do engarrafamento mundial.

Porém, os resultados de médio e longo prazo são de difícil previsão, pode acontecer que, não sendo favoráveis ás tampas de rosca, provoquem uma volta à tradição. Aguardemos!



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