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A indústria do Champagne deve muito ao monge Dom Pérignon e mais ainda à viúva Madame Clicquot, 15/03/19

No século VII, monges franceses foram os pioneiros da indústria vinícola da região da Champagne, que rendia boa parte dos ganhos dos monastérios, cujos vinhedos ocupavam boa parte das terras locais.

Novos métodos de produção de espumantes foram criados no século XVII pelo Monge Dom Pérignon, incluindo a combinação de cepas de uvas e garrafas arrolhadas para aprimorar as fermentações. Contudo o produto final, embora de gosto mais refinado, ainda carecia de uma boa apresentação, pois as fermentações produziam resíduos de tato repulsivo e deixavam o líquido bastabte turvo.

Barbe-Nicole, nasceu na Champagne, em 1777, filha de Nicole-François Ponsardin, um rico comerciante, e se casou em 1798 com François-Marie Clicquot, cujo pai, Philipe Clicquot, mantinha vinícolas e vinhedos dentre os seus diversos negócios.

Apesar dos costumes da época, que reservavam à mulher pouco mais do que as tarefas domésticas e a procriação, François permitiu que ela participasse de um grande plano, para produzir e vender vinhos de luxo em toda a Europa. Na co-gestão de Barbe, as vendas cresceram de 8.000 a 60.000 garrafas em cerca de 8 anos.

Em 1805, ficou viúva e o desgostoso sogro resolveu se desfazer dos vinhedos e vinícolas, no que foi contestado pela nora, decidida a assumir os negócios do marido, pois a marca Clicquot já tinha boa reputação entre os consumidores do champagne.

O sogro concordou mas lhe impôs a severa condição de que ela passasse por um aprendizado de vários anos. Para isso a viúva associou-se com Alexandre Fourneaux, grande especialista na arte de combinar cepas.

O início dessa fase foi desastrosa, sob influência de decisões erradas da viúva, de dificuldades político-comerciais no tráfego de navios, acesso aos portos, embargos de produtos, alterações fronteiriças que obrigaram o sogro a investir pesadas somas para salvar o negócio.

A viúva acompanhava a recuperação do negócio promovida pelo sogro, dando seus primeiros passos na sua inovação, ao montar ousadas operações de transporte, armazenamento e distribuição das garrafas, que o elevaram a níveis bem acima dos concorrentes e solidificaram o conceito do champagne, especialmente os Clicquot-Ponsardin que vieram a se tornar obrigatórios em festas, eventos esportivos, bares, restaurantes, cabarets etc. da Belle Époque.

Além disso, a viúva explorava toda oportunidade para promover os produtos: uma das suas mais notáveis ações foi a associação das garrafas, cuja rolha recebia um selo de cera na forma de estrela com as iniciais VCP, ao cometa Halley, que visitava os céus europeus em 1811. Na época, o Champagne Veuve Clicquot-Ponsardin foi promovido como "o vinho do cometa".

Em 1816, ajudada pelo seu mestre de vinícola Antoine-Aloys de Muller, Clicquot passou a usar a técnica do "remouage" que consiste em deixar a garrafa descansar na posição oblíqua e gira-la, diariamente, 1/8 de volta, para forçar o depósito dos resíduos no topo do gargalo. Antes do arrolhamento final, os resíduos eram expulsos, a garrafa era completada com um licor para ajustar o grau de açúcar e o champagne passou de turvo a bem límpido e muito mais atrativo, especialmente por mostrar, melhor, o caminhar das borbulhas. Com a agregação de várias melhorias tecnológicas, esse método, chamado "champenoise" é usado até hoje.

Os usos de garrafas fabricadas em série pela técnica do sopro e do rótulo de papel, iniciados no final do século permitiram que o consumo do champagne chegasse à classe média e foram os últimos dos grandes feitos que levaram a Viúva Clicqout a ser reconhecida como a Dama do Champagne, a inspirar a lendária marca La Grande Dame e a manter a marca Clicquot no topo, até os dias atuais.



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